terça-feira, 14 de julho de 2015

Automatismo e Herança

Livro: Evolução em Dois Mundos
Primeira Parte - Capítulo 4 - Automatismo e Corpo Espiritual

Neste trecho André Luiz nos explica que o princípio inteligente ao percorrer as extensas fileiras da evolução, passando pelas variadas espécies vegetais e animais até chegar ao estado hominal, adquire as faculdades necessárias para a consolidação da individualidade. Que o automatismo e a herança adquiridas neste processo de evolução assumem papel preponderante na formação do psiquismo.
"Assim como na coletividade humana o indivíduo trabalha para a comunidade a que pertence, entregando-lhe o produto das próprias aquisições, e a sociedade opera em favor do indivíduo que a compõe, protegendo-lhe a existência no impositivo do aperfeiçoamento constante, nos reinos menores o ser inferior serve à espécie a que se ajusta, confiando-lhe, maquinalmente, o fruto das próprias conquistas, e a espécie labora em benefício dele, amparando-o com todos os valores por ela assimilados, a fim de que a ascensão da vida não sofra qualquer solução de continuidade.
Se, no círculo humano, a inteligência é seguida pela razão e a razão pela responsabilidade, nas linhas da civilização, sob os signos da cultura, observamos que, na retaguarda do transformismo, o reflexo precede o instinto, tanto quanto o instinto precede a atividade refletida, que é base da inteligência nos depósitos do conhecimento adquirido por recapitulação e transmissão incessantes, nos milhares de milênios em que o princípio espiritual atravessa lentamente os círculos elementares da Natureza, qual vaso vivo, de forma em forma, até configurar-se no indivíduo humano, em trânsito para a maturação sublimada no campo angélico.
Desse modo, em qualquer estudo acerca do corpo espiritual, não podemos esquecer a função preponderante do automatismo e da herança na formação da individualidade responsável, para compreendermos a inexequibilidade de qualquer separação entre a Fisiologia e a Psicologia, porquanto ao longo da atração no mineral, da sensação no vegetal e do instinto no animal, vemos a crisálida de consciência construindo as suas faculdades de organização, sensibilidade e inteligência, transformando, gradativamente, toda a atividade nervosa em vida psíquica."

Atividades Reflexas do Inconsciente

Livro: Evolução em Dois Mundos
Primeira Parte - Capítulo 4 - Automatismo e Corpo Espiritual

Neste trecho André Luiz nos informa que assim como consolidamos o aprendizado pelo treinamento, através da repetição, o princípio espiritual assim o fez, através de inumeráveis encarnações e desencarnações nos variados estágios da Natureza, para incorporar o repertório de conhecimentos, expressos pelas atividades reflexas do inconsciente.
"Sabemos que, em nos propondo aprender a ler e escrever, antes de tudo nos consagramos à empresa difícil de assimilação do alfabeto e da escrita, consumindo energia cerebral e coordenando o movimento dos olhos, dos lábios e das mãos, em múltiplas fases de atenção e trabalho, de maneira a superar nossas próprias inibições, para, depois, conseguirmos ler e escrever, mecanicamente, sem qualquer esforço, a não ser aquele que se refere à absorção, comunicação ou materialização do pensamento lido ou escrito, porquanto a leitura e a grafia ter-se-ão tornado automáticas na esfera de nossa atividade mental.
Nessa base de incessante repetição dos atos indispensáveis ao seu próprio desenvolvimento, vestindo-se de matéria densa no plano físico e desnudando-se dela no fenômeno da morte, para revestir-se de matéria sutil no plano extrafísico e renascer de novo na Crosta da Terra, em inumeráveis estações de aprendizado, é que o princípio espiritual incorporou todos os cabedais da inteligência que lhe brilhariam no cérebro do futuro, pelas chamadas atividades reflexas do inconsciente."

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Automatismo Fisiológico

Livro: Evolução em Dois Mundos
Primeira Parte - Capítulo 4 - Automatismo e Corpo Espiritual

André Luiz nos explica que o espírito no decorrer de suas experiências físicas e espirituais adquire domínio sobre as células físicas e do perispírito. Este domínio leva ao automatismo fisiológico, que permite que as funções básicas de manutenção da vida sejam executadas sem obstáculo, automaticamente.
"Compreensível salientar que o princípio inteligente(1), no decurso dos evos(2), plasmou em seu próprio veículo de exteriorização as conquistas que lhe alicerçariam o crescimento para maiores afirmações nos horizontes evolutivos.
Dominando as células vivas, de natureza física e espiritual, como que empalmando-as a seu próprio serviço, de modo a senhorear possibilidades mais amplas de expansão e progresso, sofre no plano terrestre e no plano extraterrestre as profundas experiências que lhe facultarão, no bojo do tempo, o automatismo fisiológico, pelo qual, sem qualquer obstáculo, executa todos os atos primários de manutenção, preservação e renovação da própria vida."

1. Pergunta nº 23 do Livro dos Espíritos (Allan Kardec):
- Que é o espírito? - O princípio inteligente do Universo.
2. Evo: tempo indefinido em duração; eternidade.

domingo, 12 de julho de 2015

Evolução no Tempo

Livro: Evolução em Dois Mundos
Primeira Parte - Capítulo 3 - Evolução e Corpo Espiritual

Neste trecho André Luiz salienta que no processo evolutivo da formação da vida no planeta passaram-se cerca de um bilhão e meio de anos para se chegar ao estágio hominal e sendo que a civilização surgiu somente há cerca de duzentos mil anos, é um indício de que estamos ainda no início de nosso processo evolutivo moral.
"É assim que dos organismos monocelulares aos organismos complexos, em que a inteligência disciplina as células, colocando-as a seu serviço, o ser viaja no rumo da elevada destinação que lhe foi traçada do Plano Superior, tecendo com os fios da experiência a túnica da própria exteriorização, segundo o molde mental que traz consigo, dentro das leis de ação, reação e renovação em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica, construindo o centro coronário, no próprio cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o Auxílio das Potências Sublimes que lhe orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo íntimo, fixando-os na tessitura da própria alma.
Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária(1), em que a civilização elementar do sílex(2) denuncia algum primor de técnica, nada menos de um bilhão e meio de anos. Isso é perfeitamente verificável na desintegração natural de certos elementos radioativos na massa geológica do Globo. E entendendo-se que a Civilização aludida floresceu há mais ou menos duzentos mil anos, preparando o homem, com a bênção do Cristo, para a responsabilidade, somos induzidos a reconhecer o caráter recente dos conhecimentos psicológicos, destinados a automatizar na constituição fisiopsicossomática do espírito humano as aquisições morais que lhe habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão à Consciência Cósmica(3)."

1. Quaternário: relativo ao período em que o clima, a fauna e a flora eram semelhantes aos de hoje, e que se caracteriza pelo aparecimento do homem.
2. Sílex: pedra dura que produz faíscas quando ferida com um fragmento de aço.
(Fonte: Mesquita, J.M. 1984. Elucidário do Livro Evolução em Dois Mundos).
3. As presentes estimativas e apontamentos do Plano Espiritual, apesar das compreensíveis divergências humanas, coincidem exatamente com observações e ilações de vários estudiosos encarnados (Nota do Autor espiritual).

sábado, 11 de julho de 2015

Elos Desconhecidos da Evolução

Livro: Evolução em Dois Mundos
Primeira Parte - Capítulo 3 - Evolução e Corpo Espiritual

André Luiz nos explica que o processo evolutivo do princípio inteligente não fica circunscrito aos períodos em que se encontra encarnado, mas que a evolução continua no plano extrafísico (quando desencarnado), modelando seu perispírito, visando ao progresso. Desta forma, os elos perdidos da evolução humana representam a evolução ocorrendo no campo espiritual, entre encarnações.
"Compreendendo-se, porém, que o princípio divino aportou na Terra, emanando da Esfera Espiritual, trazendo em seu mecanismo o arquétipo a que se destina, qual a bolota de carvalho encerrando em si a árvore veneranda que será de futuro, não podemos circunscrever-lhe a experiência ao plano físico simplesmente considerado, porquanto, através do nascimento e morte da forma, sofre constantes modificações nos dois planos em que se manifesta, razão pela qual variados elos da evolução fogem à pesquisa dos naturalistas, por representarem estágios da consciência fragmentária fora do campo carnal propriamente dito, nas regiões extrafísicas, em que essa mesma consciência incompleta prossegue elaborando o seu veículo sutil, então classificado como protoforma humana, correspondente ao grau evolutivo em que se encontra."

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Faixas Inaugurais da Razão

Livro: Evolução em Dois Mundos
Primeira Parte - Capítulo 3 - Evolução e Corpo Espiritual

Dando continuidade ao assunto tratado nos quatro posts anteriores, André Luiz explica o processo evolutivo da formação da vida na Terra. Como vemos, a mônada ao estagiar nas diferentes classes animais adquire e elabora os valores necessários ao seu progresso.
"Estagiando nos marsupiais(1) e cetáceos (baleias, golfinhos e botos)* do eoceno médio, nos rinocerotídeos (rinocerontes), cervídeos (cervos e veados), antilopídeos (antílopes), equídeos (cavalos), canídeos (lobos e cães), proboscídeos (elefante e o extinto mamute) e antropoides(2) inferiores do mioceno e exteriorizando-se nos mamíferos mais nobres do plioceno, incorpora aquisições de importância entre os megatérios(3) e mamutes, precursores da fauna atual da Terra, e, alcançando os pitecantropoides(4) da era quaternária, que antecederam as embrionárias civilizações paleolíticas, a mônada vertida do Plano Espiritual sobre o Plano Físico (5) atravessou os mais rudes crivos da adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão."

* As informações entre parênteses foram adicionadas ao texto original.
1. Marsupial: designação do grupo de animais sem placenta, cujas fêmeas possuem marsúpio, que é uma bolsa formada pela pele do abdome. Ex.: gambás e cangurus.
2. Antropoide: grupo de símios (macacos), que compreende os chimpanzés, gorilas, orangotangos e algumas espécies fósseis que lembram o ser humano.
3. Megatério: grande mamífero desdentado, fóssil, encontrado nos terrenos terciários e quaternários da América do Sul.
4. Pitecantropoide: semelhante ao pitecantropo, que é um antropoide fóssil indicativo de um gênero intermediário entre o macaco e o homem.
(Fonte: Mesquita, J.M. 1984. Elucidário do Livro Evolução em Dois Mundos).
5. As expressões “Plano Físico” e “Plano Extrafísico”, largamente usadas nestas páginas, foram utilizadas por nós, à falta de termos mais precisos que designem as esferas de evolução para os Espíritos encarnados e desencarnados, pertencentes ao “habitat” planetário (Nota do Autor espiritual).

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Dos Artrópodos Aos Dromatérios e Anfitérios

Livro: Evolução em Dois Mundos
Primeira Parte - Capítulo 3 - Evolução e Corpo Espiritual

Neste trecho, André Luiz discorre sobre a evolução dos seres vivos sobre a Terra, destacando a importância deste processo para o aprimoramento da mônada, que passa pelas variadas espécies, onde adquire variadas formas de expressão. Neste processo evolutivo vai adquirindo características necessárias para alcançar o reino hominal.

Observar que muitas das espécies citadas existiram durante os primórdios da formação da vida no planeta, não existindo mais, mas permitiram a fixação das espécies existentes atualmente. E que nos tempos atuais este processo evolutivo das mônadas continua operando incessantemente, permitindo que novas mônadas ingressem nas fileiras do aprendizado e progresso.
"Mais tarde, assinalamos o ingresso da mônada, a que nos referimos, nos domínios dos artrópodos(1), de exosqueleto quitinoso, cujo sangue diferenciado acusa um átomo de cobre em sua estrutura molecular, para, em seguida, surpreendê-la, guindada à condição de crisálida da consciência, no reino dos animais superiores, em cujo sangue — condensação das forças que alimentam o veículo da inteligência no império da alma — detém a hemoglobina por pigmento básico, demonstrando o parentesco inalienável das individuações do espírito, nas mutações da forma que atende ao progresso incessante da Criação Divina.
Das cristalizações atômicas e dos minerais, dos vírus e do protoplasma, das bactérias e das amebas, das algas e dos vegetais do período pré-câmbrico(2) aos fetos(3) e às licopodiáceas(4), aos trilobites(5) e cistídeos(6) aos cefalópodes(7), foraminíferos(8) e radiolários(9) dos terrenos silurianos, o princípio espiritual atingiu espongiários(10) e celenterados(11) da era paleozoica, esboçando a estrutura esquelética.
Avançando pelos equinodermos(12) e crustáceos(13), entre os quais ensaiou, durante milênios, o sistema vascular e o sistema nervoso, caminhou na direção dos ganoides(14) e teleósteos(15), arquegossauros(16) e labirintodontes(17) para culminar nos grandes lacertinos(18) e nas aves estranhas, descendentes dos pterossáurios(19), no jurássico superior, chegando à época supracretácea para entrar na classe dos primeiros mamíferos, procedentes dos répteis teromorfos(20).
Viajando sempre, adquire entre os dromatérios(21) e anfitérios(22) os rudimentos das reações psicológicas superiores, incorporando as conquistas do instinto e da inteligência."

1. Artrópode: grupo de animais com extremidades articuladas e um esqueleto externo formado por uma substância córnea (semelhante a do chifre); o corpo é segmentado, geralmente subdividido em cabeça, tórax e abdome. Ex.: caranguejo, aranha, lacraia e barata.
2. Pré-câmbrico: pré-cambriano, relativo ao período em que surgem os primeiros sinais de vida rudimentar na Terra.
3. Feto: classe de pteridófitos que abrange fetos, samambaias e avencas.
4. Licopodiácea: designação das plantas providas de folhas diminutas, parecendo escamosas, e sem flores, sendo representadas pelas ervas rasteiras (licopódios).
5. Trilobite: grupo extinto de artrópodes que viveram na era paleozoica, os quais tinham o corpo longitudinalmente trilobado, ou seja, com três lóbulos.
6. Cistídeo: grupo primitivo e extinto de animais equinodermos, fósseis restritos ao período siluriano. Os equinodermos são invertebrados marinhos de simetria radiada, como as estrelas-do-mar.
7. Cefalópode: animal marinho que apresenta corpo com uma concha externa, interna ou ausente; tem cabeça grande, com olhos desenvolvidos, rodeada de tentáculos. Ex.: polvos e lulas.
8. Foraminífero: animal unicelular rizópode (prolongamentos semelhantes a raízes) com corpo dentro de uma carapaça contendo uma ou mais câmaras, com uma ou várias aberturas. A maior parte do grupo é constituída por animais marinhos, importantes indicadores de petróleo.
9. Radiolário: animal protozoário, geralmente esférico, com órgãos de locomoção de forma irradiada, o protoplasma dividido em duas porções, interna e externa, esqueleto com espinhos radiados, e é marinho.
10. Espongiário: animal conhecido como esponja, marinho ou de água doce, cujo corpo é provido de numerosos poros, câmaras e canais pelos quais entra e sai a água.
11. Celenterado: animal marinho, cujo corpo é simples saco que forma o aparelho digestivo e se comunica com o exterior por um orifício que serve de boca e de ânus, a cujo grupo pertencem os pólipos, medusas e corais.
12. Equinodermo: animal do grupo que compreende os invertebrados exclusivamente marinhos de simetria radial. São as estrelas-do-mar e os ouriços-do-mar.
13. Crustáceo: animal de esqueleto externo e respiração por brânquias, de cujo grupo a maior parte é aquática. Ex.: o caranguejo, o camarão e a lagosta.
14. Ganoide: grupo de peixes providos de escamas romboides, formadas por uma camada de osso, com ganoína, que é uma substância semelhante ao esmalte dos dentes. A forma romboide é a do quadrilátero com lados opostos paralelos (paralelogramo) e lados contíguos diferentes, formando ângulos retos.
15. Teleósteo: grupo de peixes com barbatanas (nadadeiras) constituídas de raios, ao qual pertencem os peixes de esqueleto ósseo.
16. Arquegossauro: designação de um sáurio (lagarto) primitivo, réptil extinto, bípede, que precedeu as aves primitivas.
17. Labirintodonte: nome genérico de anfíbios fósseis, cuja dentina (marfim dos dentes) apresenta forma rugosa e complicada de sua superfície.
18. Lacertino: animal com características de lagarto.
19. Pterossáurio: réptil fóssil voador e marinho, que viveu do período triássico ao período cretáceo.
20. Teromorfo: grupo de réptil do período permiano, com vértebras bicôncavas, membros locomotores com cinco dedos, arcos peitorais e pélvicos bem desenvolvidos, nos quais os elementos estão fundidos ou articulados unidos, o crânio com osso quadrado, e os ossos da região temporal formando um arcada larga única.
21. Dromatério: réptil que melhor floresceu no triássico, período que se caracteriza pela presença de grandes sáurios (lagartos) aquáticos e terrestres; esse réptil desapareceu com o advento dos dinossauros carnívoros, e pode ser o último ancestral da maioria dos grupos mamíferos.
22. Anfitério: designação de mamíferos sem placenta, primitivos, cuja importância no terreno da evolução é grande por serem considerados a possível fonte dos marsupiais, cujas fêmeas possuem bolsa formada pela pele do abdome, e dos placentários (mamíferos com placentas).
(Fonte: Mesquita, J.M. 1984. Elucidário do Livro Evolução em Dois Mundos).